imagens que estão no blog foram retiradas da internet, se você possui os direitos autorais entre em contato que eu tiro do blog ou coloco os créditos (algumas não tinham onde encontrei), obrigada!





"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

voltando?


Entrei hoje no blog com o intuito de desativá-lo. Faz um tempo que me afastei da vida virtual, em partes por falta de tempo e em partes pela frustração de meus contatos serem apenas virtuais e faltar dinheiro para ser presencial também. Minha vida mudou muito desde a época em que eu postava aqui.

Mas o que quero falar é que não consegui apagar o blog. Comecei a ler posts antigos e vi que não se larga BDSM porque ele é parte da gente. Eu sempre vou ser sub. Posso apenas sufocar isso e ficar incompleta.
Faz dois meses que comecei uma relação baunilha, (eu sei, nada haver com o que eu sempre disse) e hoje vivo a contradição de não querer levar a vida dupla, mas ao mesmo tempo precisar dela. Então, decidi não cancelar o blog até ter uma decisão sobre manter minha ética ou meu pleno prazer.


Beijos,
Peq sub

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Uma sessão ideal!


Ele chega por trás, me puxa pelos cabelos, olha em meus olhos, eu desvio, suas botas me parecem extremamente interessantes em meio a tanta tremedeira. Sem nem mesmo perceber ele me solta e meus braços já estão atados em minhas costas, mantenho os olhos na bota, uma vara atrás dos joelhos, plat!!! Caio ao chão.

- Olhou tanto agora lamba

Lambi, fiz com gosto, meio desajeitada, praticamente lustrei aquelas botas pretas que tão habituada estou a olhar.



Cabelos de novo, me pôs de pé empurrou na parede, soltou minhas mãos e me fez subir em uma cruz quando vi minhas mãos estavam imóveis acima de minha cabeça. Plat, plat, tapas e mais tapas pernas abertas e disponíveis, tornozeleiras a postos corpo imóvel para o sádico prazer.

Ainda com olhos para o chão escuto passos, zíper da bolsa de utensílios e brinquedos se abrindo, antecipação e nervosismo tomam conta. Silencio, sempre silencio, parte de minha tortura psicológica.

Ele retorna e começa sua diversão, um clamp em cada mamilo devidamente colocado, e posteriormente ajustado ao ponto de uma careta, uma fileira de prendedores descendo embaixo de cada seio, clamps nos lábios vaginais e uma sequência de prendedores descendo pela coxa interna, por fim uma borboleta disposta em meu clitóris naquele momento desligada. Enquanto meu nervosismo crescia com cada brinquedo, ele sorria em pensar na diversão que eles lhe trarão.



Um plug, lubrifica bem devagar na minha frente e no momento em que vai introduzir liga a borboleta no máximo,teria pulado se fosse possível, quase gozo quando insere em um único movimento, mas antes que fizesse, mais uma vez o brinquedo é desligado e minha tortura continua.

Cane começou bem devagar nos seios e coxas, começa a acelerar deixando pequenas tiras vermelhas, pega uma vela pinga um pouco nos seios e enquanto me contorço vai pintando minha barriga e coxa, borboleta liga de volta, cane com mais intensidade, uma fileira de clamps da coxa é retirada antes mesmo que pudesse absorver a dor o cane se torna mais intenso e o vibrador é posto na maior intensidade, quase gozando, desliga. 

Processo se repete na outra coxa, barriga de ambos os lados, a necessidade se faz extremamente intensa ele pega o chicote e começa um spanking forte nas coxas, virilha e seio sempre desligando o maldito vibrador quando a ponto de gozar.

Me solta, nesse ponto estou chorando, implorando para que termine comigo ele apenas me vira, suspende amarra para poder dar atenção para minhas costas.



Começa com as velas pinga desde a parte superior até acima da bunda, depois nas coxas terminando com as solas do pé. Com a cane se diverte um pouco nos pés enquanto imploro por misericórdia antes de marcar minhas costas e bunda com seu chicote, enquanto se regozija em minha dor e frustração por não ter conseguido ainda o tão almejado gozo.



Me solta novamente, coloca de joelho e com suas cordas me imobliza naquela posição, tento mas não consigo vê-lo, tudo que penso é que não agüento muito mais daquela tortura, escuto preservativo abrindo e me acalmo, ele se coloca atrás de mim e me toma como um animal, aquela tortura não foi só minha afinal, ele também estava desesperado pelo final, mais uma vez a borboleta se liga, ele aperta mais um pouco os clamps que tinham restado em meus mamilos, e enquanto me toma me asfixia e dessa vez quando prestes a gozar diz em meu ouvido

- Goza agora

E eu faço, muito, assim como ele. Terminado ele me solta me leva até o banheiro, me coloca no box de banheiro e despeja aquilo que necessita em minha boca e corpo. Simplesmente diz

- Se limpe

Da as costas e vai embora, me deixando, humilhada, feliz e satisfeita. 

    

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Qual mudança é positiva ou negativa?

 Tive um fim de semana muito corrido, na verdade todos são. Faço parte de um grupo de dança e essa parte da minha vida que é extremamente importante e gratificante me consome em fins de semana e durante uma semana inteira em algumas épocas do ano.
Em fim, ontem à noite quando cheguei a minha casa e finalmente tive tempo para abrir o computador, estava louca para atualizar o blog. Sabe que antes de montar o blog, as pessoas que tinham me diziam desse vicio de querer atualizar, de querer visitar o blog de todos que seguimos e eu não entendia, agora faz todo sentido do mundo para mim.
O problema foi que eu não sabia o que escrever, a verdade é que a minha vida não BDSM está tão agitada, que é ela que consome minha cabeça, se eu pudesse falar sobre isso sem comprometer minha identidade pessoal e fugir do tema aqui proposto, eu teria problema para escolher apenas um tópico..hehe
Assim fiquei mudando as músicas da minha playlist, e fuçando em uma antiga lista de possíveis temas que fiz quando criei o blog. Encontrei ali um tema que até pensei em escrever (quando comecei a escrever aqui pretendia escrevê-lo), mas já que esse post já começou com um desabafo resolvi, agora, terminar em desabafo. Deixo para escrever o tema que tinha encontrado em outro momento, um em que ele faça mais sentido e seja mais coerente para mim.
Vou falar do quanto eu estou em constante mudança, positiva e negativa (dentro da minha visão das coisas). É interessante notar que antes de começar a viver no meio eu trazia comigo diversos conceitos baunilhas (não que não traga mais) e tentava encontrá-los no “universo” BDSM.
Fazia coisas como confundir Dono com namorado, paixão baunilha (inicio) cheia de ciúmes e desconfianças jogos e manipulações, com a paixão BDSM (inicio) admiração, desejo real de agradar e servir, inicio de confiança. Não são exatamente esses sentimentos, mas ilustra um pouco o que quis pontuar. 
 Essas são mudanças positivas que eu adquiri ao sentir, ao viver, ouvi muito no meu primeiro mês: se quer um namorado continue baunilha e eu não compreendia, precisei viver para que hoje eu possa dizer que a última coisa que eu quero é um namorado (semana que vem vou escrever um post e falar da diferença de namorado e dono, ou relação baunilha e BDSM).
E tem outras mudanças que eu não sei se foram frutos do meu amadurecimento no meio, talvez seja fruto do meu acomodamento. O tópico que eu encontrei para escrever era coleira virtual. Quando eu comecei a freqüentar chats e fetlife e vi a dinâmica de como nos relacionamos, predominantemente de maneira virtual, eu tive diversas criticas a essa forma de estar com.
Para mim era certo naquele tempo que uma relação BDSM deve começar presencial. Usar uma coleira virtual é apenas mais um lugar (assim como a social) que você vai usar depois que você já tem uma relação real e presencial acontecendo. Não falarei agora dos motivos se não acabarei no texto que decidi não escrever hoje.
Mantenho a minha visão sobre isso, mas no momento atual da minha vida, existe uma possibilidade, pequena, mas real, de que em algum tempo eu talvez venha a me contradizer nesse aspecto. E foi por isso que mudei meu texto, me sentiria hipócrita se simplesmente o escreve-se sabendo disso.
A verdade, que cada vez mais venho percebendo e quebrando a cara para aceitar, é que por mais que eu seja racional e tenha minhas crenças e princípios eu não posso sempre afastar meus sentimentos e colocá-los depois de minhas ideologias, em algum momento, a emoção cresce e toma conta e ai, as coisas mais loucas e contraditórias podem acontecer.
 A dúvida que fica é, até onde ceder? Até onde não corro o risco de perder quem eu sou? Minha razão me diz que são mudanças negativas ceder no que defendo, porque minhas emoções me enganam? Mas minhas emoções me dizem que minha razão jamais me deixará ser feliz?
Então qual é a mudança positiva e a negativa? Termino com duvidas, e mais duvidas, e mais duvidas. Desorganizadas, caóticas, como minha mente se encontra nesse momento.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Mestres de ShadowLands!!!


Decidi escrever sobre um livro que marcou a minha vida, um não 4 na verdade, a série Mestres do ShadowLands. Eu acredito que a Cherise quando escreveu esses livros tentou escrever uma espécie de conto de fadas adaptado para o BDSM. Mas são bons livros para quem está começando a aprender diversos conceitos.
Os livros se passam em um clube BDSM. No primeiro livro o carro da Jéssica quebra próximo ao clube e ela precisa buscar refugio ali por causa de uma tempestade. No tempo de espera ela descobre junto com o Mestre Z (dono do clube) que é uma submissa.


No segundo livro, a mocinha aparece com o namorado no clube no dia de iniciantes, ela termina com ele, mas decide continuar as aulas do mesmo jeito com o Mestre Dan.


No terceiro livro a mocinha é uma mulher mais velha que sofreu abuso de um antigo Dono e por isso nunca se entrega de verdade, escolhendo Dons jovens os quais ela possa manipular ela realiza sessões “falsas”, para solucionar o problema, Mestre Z junta ela com o Mestre Simon que é um Mestre bem duro para que ele quebre as defesas dela.


E por fim no quarto livro a mocinha se dizia sub, mas todos diziam para ela que ela era Domme, porque ela não conseguia encontrar um Dom forte o suficiente para dobrar a vontade dela. Então ela vira estagiária no clube, o Mestre Cullen treina os estagiários e se interessa pelo desafio.


O interessante nesses livros é que a maioria dos livros BDSM tem pouco conteúdo e mais cenas de sexo, os livros da Cherise Sinclair em compensação têm bastante conteúdo, e não peca nas cenas de sexo. Os livros trabalham bem a descoberta do que é o estilo de vida que as mocinhas estão tendo. Eles não tocam em assuntos como irmãs de coleira, ou a parte física do sadomasoquismo. Trata-se principalmente de Dominação Psicológica. Acredito que vale a pena conferir. Links para downloads embaixo das fotos.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

BDSM: Divisões cartesianas

     
   Resolvi falar sobre a divisão dentro do universo BDSM. Como sabemos o BDSM é uma contraposição a forma tradicional de se relacionar de maneira afetivo-sexual. E como tudo nesse mundo cartesiano é extremamente subdividido, o BDSM também é, até que mal nos enxergamos dentre essas subdivisões.
   Sinceramente, sou masoca, sou podolatra, sou um pouco pet, sou submissa, e oscilo em fases que sou bem libertina e por ai vai... sou aquilo que de prazer.
   Meu ponto aqui é que rompemos com o padrão na busca pelo "desviante", na busca pelo prazer. Mas daí começamos a catalogá-lo, a classificá-lo, a encaixotá-lo e dizer como ele deve ser, perdemos um pouco do porque era tão libertador.



   Não questiono todas as convenções, nem as liturgias, pelo contrário acho as liturgias extremamente significativas dentro de suas simbologias.
O que questiono, são as terminologias, e as divisôes que realizamos para poder nos autodefinir e delimitar aquilo que podemos ou não na esfera de nosso prazer (como o exemplo citado acima da divisão usada para definir os tipos de escravas).


   Não precisamos de "caixinhas" nos delimitando e as vezes até impedindo de tentar o novo por já ter sua caixinha pré defenida, na prática cada casal vai encontrar seu limite e a partir disso compatibilidade. Não é dizendo sou uma escrava tal que vamos encontrar compatibilidade e descobrir sexualidade, é tentando praticas e dizendo não gosto disso, disso e disso se você gosta não somos compatíveis.
   Na experiência concreta nos encontramos, não na abstração idealizada.

sábado, 14 de maio de 2011

Play - O outro dia - Parte VI (Final)


No dia seguinte, mais próximo da hora do almoço, nos dividimos entre ajudar na cozinha e limpar o local onde tínhamos feito a play. Eu fui escalada para lavar louça e ajudar o Jonjon que estava cozinhando seu delicioso macarrão. No tempo que eu estava cortando pimentão (ou melhor dizendo tentando cortar) o Jonjon achava toda hora um motivo para me bater no braço, costas e a Jeh que estava ajudando na cozinha e em outros lugares também, cada hora que passava observava um novo hematoma, até que ela me disse: você deve estar fazendo muita coisa errada, toda hora que passo aqui tem uma nova marca... ri muito nessa hora.
Quando deu uma acalmada na cozinha fui para o quintal conversar com o Px e o Mestre Logos, naquela tarde conversamos sobre muita coisa, de niilistas a marxistas, foi um orgasmo intelectual. Até que o Jonjon me tirou da roda para lavar louça quando estávamos debatendo Marx!!! Foi um grande teste de paciência para mim, obedecer quieta, mas não consegui esconder minha expressão facial muito bem o que me rendeu testar uma colher de pau que o Jonjon encontrou na cozinha e que segundo ele parecia ser melhor do que a que tinham usado em mim  na noite anterior. De alguma forma aquilo melhorou meu humor e me diverti enquanto lavava a louça correndo para voltar para a conversa.
Depois do jantar tive uma nova experiência de volta: realizar strap-on no Vini. Foi bem interessante, eu normalmente não sei como tomar a iniciativa, principalmente porque como sub não é o que eu busco, mas ali eu sabia o que eu queria fazer, e gostei de exercer aquela forma de poder que o sub me concede, ao me chamar de Senhora e realizar minhas vontades. Também adorei vestir o strap-on, ter um pênis, mesmo que falso (por mais bizarro que seja) me fez me sentir poderosa. A combinação de dar tapas com a penetração foi maravilhosa, e sexualmente gratificante.

Por fim nos sentamos na sala para ver as fotos (nenhuma deletada), e depois arrumamos nossas coisas e nos despedimos. O que tenho a dizer da experiência como um todo, foi que aprendi muito sobre meus desejos e sobre submissão. Também adorei todos que conheci ali, não vejo à hora de vê-los novamente. Ao G3 e Px, obrigada por terem nos proporcionado essa experiência.

Play - Do outro lado - Parte V


Bem, agora é o relato da minha experiência do outro lado do chicote. Em um dado momento quando eu voltei de fumar, a Jeh estava se divertindo com o chicote na costa do Mestre Logos. Na hora me animei, estava à muito tempo esperando por uma oportunidade para saber como sentiria bater em alguém.
Na sequência, o PX pegou uma corda e depois de três golpes foi afastado da brincadeira, foi o único a conseguir tirar uma reação grande do super masoca, com quem estávamos nos divertindo.
E então eu e a Jeh começamos a se revezar nas costas do Sw. A Mistress Amanda deu as instruções de como usar o chicote, era realmente complicado, e ainda desejo aprender a usar a ponta. O que percebi quando comecei a bater é que traz uma sensação libertadora, eu não tinha técnica, mas me esforcei para que desse certo, e cada vez que eu tirava alguma reação do Mestre Logos me sentia mais realizada. É incrível ver a dor-prazer no rosto de alguém e saber que você causou isso.



Bem depois disso desci varias vezes para fumar e em uma das vezes que voltei, a Jeh estava trabalhando com velas nas costas do Vini, e me chamou para me juntar a ela. Nos divertimos muito, combinávamos lugar e derramávamos ao mesmo tempo, uma hora o Vini até começou a xingar em francês, quando a Jeh escorreu a cera na junta da parte de trás do joelho e a resposta do Dono dela foi, mais vela.. kk


Em um dado momento o PX que percebeu que como tinha tirado as fotos não aparecia ainda em nenhuma, se juntou a gente para tirarmos fotos e continuar a colorir o Vini. Até o Mestre Logos encontrou uma vela e se juntou na construção da obra de arte que virou as costas do Vini.
Ali já estávamos no fim da play, eu desci para fumar e ficamos conversando até quase de manhã no quintal atrás da cozinha.
 Continuo em um próximo post!

Play - Cerimônia - Parte IV



A segunda parte da play foi a cerimônia de entrega de coleira da jeh e do hund. Essa parte foi muito tocante, pois ambos foram exemplos para nós (subs, sem Don@) durante todo o fim de semana. Aprendi muito observando o comportamento e conversando com os dois.
Até aquele momento eu não sabia que existia essa cerimônia, acho que nem o que de fato representa a coleira era claro para mim. O que gerou em mim vários questionamentos que posteriormente perguntei ao meu Mentor.
Assistindo aquele momento, (@s subs de joelho cada um ao lado de seu Don@ e as palavras do Jonjon), me emocionei. Foi lindo e profundo, é legal ver como é possível ter romance sem perder a relação DS. Eu chorei, tentado disfarçar kkk
Depois, já encoleirados, a Jeh e o Hund foram amarrados de pé com os braços suspensos e ambos demonstraram sua entrega testando seus novos brinquedos (chicotes).

Esse foi meu momento voyeur, achei extremamente belo. Os sons, as caras, as marcas que iam surgindo, a dança de corpos, sem sombra de dúvidas uma composição de fatores que transformaram aquele spankig em arte (nota a destreza dos dois Dominadores (a)).
Depois desse momento as coisas começaram a ficar mais tranqüila, eu consegui sair para fumar algumas vezes, e cada vez que eu voltava para o local da play percebia o clima mais descontraído.
Foi muito legal de assistir a Mistress Amanda que sobrecarrega com vários subs para controlar, realizou um spanking coletivo nos meninos e depois continuo a bater estando sentada tomando refri. Muita habilidade para realizar essa façanha.
Continua em um próximo post.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Dor e Prazer!!!


Hoje decidi escrever um pouco sobre algo que é um taboo para o mundo baunilha e algo complexo dentro do meio BDSM: a dor e a sua relação com o prazer.
Para começar decidi pesquisar no Wikipédia significado para ambas as palavras chaves apresentadas acima. No que concerne ao prazer, esse é descrito como sensação de bem estar. É quando fazemos algo que nosso organismo interpreta como positivo para nossa saúde.
Sobre a dor essa é descrita como “uma sensação desagradável, que varia desde desconforto leve a excruciante, associada a um processo destrutivo atual ou potencial dos tecidos que se expressa através de uma reação orgânica e/ou emocional”.
E aqui entra o que confunde, como algo pode ser desagradavel e proporcionar bem-estar, como a mesma sensação que se origina de um alarme de perigo real ou potencial para o corpo pode ser traduzido como algo benéfico para a saúde (vide conceito de prazer).
De fato quando se observa apenas a partir dessa perspectiva pré-determinada a relação de dor e prazer parece desfuncional e desviante.



Escrevi dessa maneira porque na minha visão o problema central que nos leva a conclusão acima é o conceito de dor que expus.
Mas mais do que a questão de que o conceito de dor deve ser mais abrangente, o ponto que gostaria de lembrar é que para uma pessoa baunilha dor é exatamente o que descrevi acima, e não só porque esse é o conceito, mas porque a experiencia real mostra exatamente aquilo. Nesse sentido é compreensivel que uma pessoa baunilha se assuste e não entenda como é possivel o prazer real  dentro do sadomasoquismo.
E mais do que isso, eu ja vi pessoas apenas DS no meio, que não gostam de exposição de resultados de sessão também SM, que não entendem a beleza em assistir por exemplo uma boa sessão de spanking. Na minha leitura essas pessoas DS racionalmente entendem a dor como prazer , defendem e aceitam as práticas SM, mas mesmo para elas, uma vez que sua experiencia concreta lhe mostra a dor como o conceito acima descrito, mesmo para elas, a dor como prazer não faz sentido em um nivel emocional.



Voltando para o conceito de dor. De fato ela é desencadeada, quando fisicamente, por uma lesão ou uma potencial lesão, mas ela também pode derivar de razõs psicologicas, emocionais, tornando-a mais complexa do que essa definição antes exposta.
O que questiono é a conclusão de que já que ela serve para alertar sobre um “perigo”, ela é desagradavel ou excrusciante. De fato ela pode ser isso até para um masoquista, mas quando estamos em um contexto sexual (a origem é a mesma, as marcas pós sessão o prova) é diferente, ao invés de desagrado o que se sente é bem-estar.
É quando se encontra aquele limite onde a dor vai sumindo e o prazer aumentando, até que a cada lesão aquilo que deveria representar dor, representa apenas prazer. Para um masoquista aquele momento é maravilhoso, uma das maiores satisfação sexual que podemos alcançar.


 
Bem, encontrei um artigo na internet, no endereço:  http://www.saudeemmovimento.com.br/reportagem/noticia_exibe.asp?cod_noticia=396 onde cientistas tentavam achar solução para dor crônica. Uma vez que a resposta a dor também é emocional eles tentavam analisar essa parte da dor que é onde reside o maior problema para tratamento de dores crônicas. Eles descobriram que a mesma parte do cérebro que lida com respostas de recompensa, também lida com respostas de aversão, mostrando que a parte do cérebro que responde a dor está conectado a parte que responde ao prazer:  "Claramente, se o sadismo e o masoquismo representam algo no continuum recompensa-aversão, uma hipótese sugere que, talvez, os circuitos foram modificados para que um estímulo que normalmente causaria aversão seja percebido como uma recompensa".



Concluo esse texto dizendo que, porque sentimos prazer com a dor é algo que não temos uma resposta (possíveis respostas talvez), assim como considero natural que aqueles que não são masoquistas não consigam em um nível mais empírico conceber a dor como prazer. Mas que o que expus acima não justifica o preconceito ou a aversão declarada ao sadomasoquismo.
Entendo que tudo aquilo que está dentro do SSC e que gere prazer, deve ser experimentado sem julgamentos ou preconceitos, na busca pelo prazer a moralidade não deve ter voz. Mas principalmente a tolerância é no mundo plural e globalizado atual o principal para uma sociedade funcionar, e aceitar que o outro tem prazer com o que você não tem e que não é errado que ele tenha, é o passo para a tolerância sexual. Que nós dentro do meio BDSM tanto almejamos.
Assim não é desfuncional, não é desviante fazer uso da dor para alcançar satisfação. É desfuncional, é desviante a prática não consensual ou a prática que traga danos reais a saúde. Conhecimento é liberdade, conhecimento sobre sua própria sexualidade é emancipação sexual.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Play - Interrogatório - Parte III



Lá em cima, eu não me lembro da seqüência dos fatos, mas lembro de ouvir sons vindos d@s outr@s subs ali, (os quais eu não tinha idéia de onde ou como estavam) às vezes alguns deles apanhavam, outr@s pediam para tirar sapatos, ou coisas assim. Eu ouvia os risos e conversas d@s três Dominadores (a) e ficava curiosa com o que estaria acontecendo a minha volta e ao mesmo tempo feliz que eles (a) estivessem se divertindo.

Do que fizeram comigo me marcou algumas coisas que desejo compartilhar.
O tema do interrogatório era focado no fato de eu ser feminista, os Doms me provocaram com isso e no inicio, num momento de um pouco de irritação, esqueci de acrescentar Senhor depois de um sim (ou não, não lembro bem o contexto do momento) o que me rendeu um castigo. Eu iria apanhar e contar cada chicotada acrescentando no final a palavra Koothrappali (eu pretendo fazer física e sou viciada em The Big Bang Theory algo que quem me dominava tinha conhecimento), o que me marcou foi o fato de que eu ri, não me controlei quando lembrei do personagem da série, e me senti culpada por não ter tido auto controle, a brincadeira não era para me divertir e sim a eles, depois disso fiquei mais atenta para não repeti-lo. 
          
Bem além de tudo isso, os dois que me dominavam estavam realmente a fim de explorar meus medos.
Tenho medo de asfixia, trauma de choque e claustrofobia. O primeiro, eu recebi com muita relutância e percebi que só aumentou meu prazer.


Quanto ao segundo, foi colocada em minha cabeça uma máscara, como não podia ver achei que fosse um saco, me senti presa e todos os sintomas de ataque de pânico começaram a se desenvolver. Eu chorava compulsivamente, mas como continuei a apanhar era um misto de pânico e prazer (naquele momento a dor não era mais dor) muito estranho.
E com relação ao terceiro, lembro quando um dos Dominadores se aproximou de mim com a raquete (aquelas de matar mosquito que dá choque), ele a colocou na minha frente e me mandou encostar o dedo. Minha mão tremia e parece que agia por vontade própria quando tentava recuar. Então do nada veio na minha mente que ele queria aquilo então eu tinha que fazer, fiz chorando e me senti uma criança quando não doeu de verdade, não me fez nada ruim de fato.

Outra coisa que me marcou foi a colher de pau. Num determinado momento um dos Dominadores me perguntou se eu queria garfo ou colher, lenta como sou não entendi o porquê da pergunta e a única coisa que veio na minha mente foi que garfo tem ponta, então no automático escolhi colher. Ouvi algum deles dizer que fui esperta na escolha e me acalmei, de fato nem senti a primeira batida, até que o Dominador disse que eu não tinha sido tão esperta assim e surgiu a colher de pau.
Aquilo doía, e era gostoso, teve uma hora que o Dom bateu tantas vezes no mesmo lugar, porque o som não tinha saído legal, que senti muita dor, mas ficava mais molhada a cada momento. Acho que ali descobri um prazer libertador, me sentia relaxada, em êxtase a cada tapa ou batida, foi uma das melhores sensações que já tive.


Bem, esta parte (tudo na verdade, mas essa em especial) foi uma experiência única que nunca esquecerei, foi um momento de redescoberta e reconstrução de “verdades” internas que me fez crescer. Por isso, agradeço imensamente aos Dominadores que me proporcionaram tanto, desenvolvi um respeito, carinho e confiança gigantesco pelos Senhores.

        Continua em um próximo post!

Play - Preparação - Parte II




(Antes de começar o relato em si, gostaria de dizer que é também um desabafo, tentei expressar o que eu sentia ao longo da noite e por isso está confuso em alguns momentos, assim como eu estava confusa com meus sentimentos. Escrevi meio em "brain storm" então peço desculpas pelos erros gramaticais).

Do momento em que desci do carro até a hora em que sentamos na sala para que @s Dominadores (a) explicassem as regras, fui conhecendo as pessoas e formando novas amizades. Conversamos sobre os mais diversos temas, e com cada minuto me encantava mais com aquelas pessoas inteligentes, legais e interessantes. Acho que para mim, a intimidade e a confiança, que necessitei mais tarde, foram se construindo ao longo daquele dia.

À noite, sentamos tod@s @s subs em um colchão no chão da sala enquanto @s dominadores (as) falavam, meio que foi ali que caiu minha ficha do que estava por vir. Ao ouvir que a partir daquele momento eu não poderia fazer mais nada (inclusive falar ou ir ao banheiro) sem permissão, o pânico começou a surgir e comecei a me questionar se de fato conseguiria passar por aquilo.
        Naquele momento eu já conhecia melhor e confiava em um d@s três Dominadores (as), mas @s outr@s dois ainda me assustavam e sinceramente tive um pouco de vontade de sair correndo. Passaram nossa palavra de segurança, e eu por mais que não parasse de pensar nelas, não conseguia gravar (provavelmente porque minha mente já estava paralisada pelo medo), fui ficando ainda mais apreensiva.
Foi quando percebi que estava com fome (por ansiedade não tinha sentido vontade de comer ao longo do dia), fiz um lanche de pé extremamente rápido na cozinha (não conseguia nem sequer sentir o gosto daquilo que ingeria) e fui para o quarto me arrumar. Fiz tudo no automático, lembro que conversei com as meninas, mas no dia seguinte nem sequer me lembrava o que tinha contado (medo me faz falar sem parar).

Depois de pront@s, ficamos @s subs não cozinha de pé a espera da próxima ordem. Estávamos em círculo, todos quietos. Na minha mente passava sobre o que nos esperava lá em cima (@s Dominadores (as) tinham passado o dia arrumando para a play, e nós não tínhamos idéia de como estava). Um dos submissos iria chegar atrasado então ficamos ali esperando por ele. Quando chegou lhe foi permitido um banho de cinco minutos, que nós, @s outr@s subs computamos.
@s Dominadores (a) então nos fizeram arrumar as pontas da corda que foi usada para amarrar nossas mãos. Bem, nunca tive habilidades manuais, e não conseguir cumprir aquilo foi me deixando mais nervosa, não gosto de falhar. Depois fomos vendados e a partir dali não sei quanto tempo esperamos. Eu cheguei à conclusão que precisava me acalmar então comecei a passar mentalmente passos de dança para me distrair, o que funcionou (mas me pareceu muito errado depois).
O inicio da play seria um interrogatório pelos dois Dominadores comigo, fui levada então para um quarto escuro onde fiquei sentada a espera do que viria. Nesse tempo acredito que subiram @s outr@s subs. De vez em quando um dos Dominadores vinha ao quarto para me botar medo, uma tortura psicológica. Eu tenho problema com espaços fechados e mais uma vez para superar meu medo tentei distrair minha mente cantando quando ficava sozinha. Naquele momento ainda não tinha experiência com a dor, e sabia que iria apanhar, por medo preferia abstrair.
Na ultima vez que os Dominadores entraram, eles aproximaram fogo de mim. Como não podia ver, só ouvia o barulho e sentia o calor, a principio, eu senti muito medo, mas ao mesmo tempo estava muito animada. Foi quando comecei a apanhar, doeu muito, acho que porque estava começando.


Tentei lembrar a palavra de segurança, mas essa há algum tempo já tinha saído da minha mente. Nesse momento meus truques para me acalmar já não funcionavam. Mas ao mesmo tempo que estava desesperada e querendo fugir, comecei a sentir o oposto. Comecei a perceber que confiava (na verdade a cada momento um pouco mais) nos dois Senhores, e assim meu medo foi se transformando em apenas excitação.
E o que mais me impressionou, foi que algo novo surgiu em mim, por mais excitada que estivesse e por mais que tivesse ido ali para explorar meus limites, essas coisas eram as últimas que passavam pela minha mente. Tudo o que eu queria era agradar quem me dominava, queria que tivessem prazer, que a cena que montaram funcionasse como eles queriam, e meus medos perto desse desejo eram pequenos. Acho que ali percebi que para fazer aquele momento bom para eles eu agüentaria o que viesse.

Continua em um próximo post!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Conhecê-L@...Medos

  


   Hoje deixo aqui um desabafo.
   Cada vez mais percebo como é difícil o caminho que trilho para encontrar e explorar minha submissão.
   Normalmente falamos de quando estamos com Don@ e as dificuldades e superações no se submeter a el@.
   Mas aqui deixo minhas aflições sobre a etapa anterior: o conhecer aquel@ a quem se pretende um dia servir.
   Não tinha reparado antes como cada conversa com Ele é um teste, uma prova de como me porto.
   Aflijo-me por ter medo de falar demais, ou medo de falar de menos. Tenho medo de não demonstrar interesse e medo de ser atirada. Tenho medo de sem perceber me folgar pela intimidade que vai se construindo quando vai se desenvolvendo uma amizade. E percebo com esses meus medos, quase juvenis, que estou sempre aprendendo. Sinto-me humilhada ao constatar que não sei nada e que preciso ser guiada. 
   Em fim, percebo que minha submissão é testada sempre. E eu desejo de verdade acertar, em partes porque sou perfeccionista, mas principalmente porque o que me move, e move minha submissão, é o desejo de agradá-lo, de ser uma boa serva, é por isso que toda essa nóia que escrevi acima se manifesta.
   De verdade espero estar acertando e espero aprender e não repetir cada vez que errar. Quero ser digna de servi-lo algum dia.    

terça-feira, 26 de abril de 2011

Play - Ida - Parte I




Recentemente participei de um play em Floripa, aqui vou repassar minhas impressões de algumas partes em alguns posts.

A IDA
Acordei de mau humor, não para menos depois de uma noite sem dormir a espera da viagem. Eu sabia que iria conhecer pessoalmente varias pessoas que já vinha conversando na internet, mas o principal, eu estava indo para me descobrir, queria novas sensações queria ultrapassar meus limites, já tinha uma idéia de que eu iria apanhar um pouco e bem, naquele momento eu realmente achava que dor não me estimulava. Acho que todo meu trajeto até o momento do play em si, foi uma preparação psicológica para o que iria vir. Ter mente aberta e querer provar tudo muitas vezes é bem diferente do que agüentar na prática, eu temia que esse pudesse ser meu caso.
Tendo passado a noite em claro, capotei no ônibus e na parada em Joinville comecei a procurá-la, (uma das subs, que mora em Joinville, iria até Jaraguá como eu para seguir de carona), como achar alguém da qual não se tem idéia da aparência?, não preciso dizer que não se acha.
Descendo em Jaraguá, naquele momento muito mais calma, fui fumar meu cigarro e esperar minha carona, percebi que uma garota ruiva que tinha vindo no ônibus comigo também estava esperando do meu lado e naquele momento apenas nós duas do ônibus do qual viemos estávamos esperando, comecei a suspeitar que pudesse ser ela quem eu deveria encontrar. Mas como sempre a timidez foi mais forte, encarei discretamente a garota tentando achar algum sinal, claro virando disfarçadamente o rosto quando ela olhava na minha direção. Até que depois de uns 20 minutos de espera e alguns cigarros, ela telefonou, apurei minha audição em busca de alguma informação, ouvi meu nome, quando ela disse que eu não tinha chegado prontamente me apresentei, foi divertido e rimos muito da situação.  

Quando a segunda garota chegou para nos buscar prosseguimos viagem para Floripa, conversamos muito e nos demos muito bem, com o pé de chumbo da P chegamos a tempo recorde, se não fosse pelo fato de que nenhuma das três míopes conseguia enxergar placas e nenhuma se pronunciou sobre o fato, não teríamos quase chegado à próxima cidade e atrasado um pouco. Depois de um tempo perdidas, (tempo para se localizar) a A colocou os óculos e conseguimos chegar ao local combinado, à rodoviária. Lá descemos, cumprimentamos o Sr J, e o seguimos a velocidade de tartaruga para a casa onde ficaríamos.  
Continuo no próximo post!!!!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Morocha

 

Resolvi hoje postar uma música que fez parte da minha infância.
É uma canção gaúcha premiada na califórnia de seu ano, mas que recebeu grande polêmica por ser considerada machista.
Inclusive o cantor e compositor Leonardo fez a réplica em que no refrão se cantava: "morocha não, respeito sim, mulher é tudo vida e amor, quem não gostar que fique assim, grosso machista e barranqueador"
Ambas versões foram sucesso e deram o que falar no rio grande.

Eu penso que a música como um retrato da mentalidade do peão de fato, criado na lida é riquissima de fator cultural e por isso sempre a adorei (além do ritmo e voz serem incríveis)

Mas enquanto submissa, adoro ser tratada como uma égua, ser montada, usada, ter meus cabelos puxados.. o tratamento duro é excitante, estimulante e maravilhoso.







MOROCHA
de Davi Menezes Jr

Não vem morocha, te floreando toda
Que eu não sou manso e esparramo as garras
Nasci no inferno, me criei no mato
E só carrapato, é que em mim se agarra


Tu te aprochegas, reboleando os quarto
Trocando orelha, meu instinto rincha
E eu já me paro, todo embodocado
Que nem matungo, quando aperta a cincha

Aprendi a domar amanunciando égua
E para as mulher vale as mesmas regras

Animal, te para sou lá do rincão
Mulher pra mim é como redomão
Maneador nas patas e pelego na cara


Crinuda velha, não escolha o lado
Nos meus arreios não há quem peliche
Tu inchas o lombo, te encaroço a laço
Boto os cachorros e por mim que abiche


Não te boleias que o cabresto é forte
O palanque é grosso senta e te arrepende
Sou carinhoso, mas incompreendido
E pra o teu bem, vê se tu me entendes


sábado, 16 de abril de 2011

Sentidos




Escuro
Silêncio
Medo
Antecipação
Nada é certo, nada é previsto
Um tapa,
Um grito
Dor, prazer
Prazer, dor
Já não mais se diferenciam
Som
Gotas
Lágrimas, suor, sangue
Tudo um só na ausência de luz
Passos
Cada vez mais intenso
Incrível como a escuridão afina a audição
Medo
Talvez ansiedade
Um armário se abre
Objetos retirados
Um único tapa no pé
E o pulo que as cordas impedem
Outro pé
Lágrimas retornam
Um emaranhado de cores escorre pelo rosto
Vara, chicote, palmatória
Pés, bunda, costas
Em meio a sangue, lágrimas e prazer
O tempo se perde
Silêncio
Cordas retiradas
Joelhos ao chão
Beijos na bota em agradecimento
Não há amor maior
Que na entrega
E na humilhação

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Mulheres de Atenas




Então, hoje resolvi postar uma música que sempre foi uma de minhas favoritas, mas que de uns tempos para cá comecei a gostar ainda mais. Com certeza o objetivo dos autores era se valer de uma ironia o que a torna um símbolo contra o machismo...  Mas se tirarmos a crítica existente, não olharmos a ironia e simplesmente ver a letra, ouvi-la e pensar como uma escolha de vida... Acho bela a maneira como se descreve uma submissão e entrega tão plena. Tendo as duas leituras em mente, penso que “Mulheres de Atenas” apenas se engrandece e que vale a pena ser apreciada.






 
Mulheres de Atenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos, orgulho e raça de Atenas
Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem, imploram
Mais duras penas
Cadenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Sofrem por seus maridos, poder e força de Atenas
Quando eles embarcam, soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam sedentos
Querem arrancar violentos
Carícias plenas
Obscenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos, bravos guerreiros de Atenas
Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar o carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas
Helenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos os novos filhos de Atenas
Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito nem qualidade
Têm medo apenas
Não têm sonhos, só têm presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas
Morenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Temem pro seus maridos, heróis e amantes de Atenas
As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro se encolhem
Se confortam e se recolhem
Às suas novenas
Serenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos, orgulho e raça de Atenas.

BUARQUE, Chico, BOAL, Augusto. In: Chico Buarque – letra e música. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p. 144.